Natalia Barbosa Lima Lacerda e Brenno Luiz Gomes de Oliveira

O advogado como facilitador do diálogo entre empregador e empregado

Postado em 10 de agosto de 2025 Por Natália Barbosa Lima Lacerda  Advogada. Pós Graduada em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho; em Gestão Pública; em Direitos Humanos; em Direito do Consumidor. Professora da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais aplicadas do Cabo – FACHUCA. Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – OAB/PE. Por Brenno Luiz Gomes de Oliveira  Advogado. Pós Graduado em Direitos Humanos; em Direito do Consumidor; em Direito Médico. Professor da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais aplicadas do Cabo – FACHUCA. Membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – OAB/PE.

Este artigo examina a função do advogado especializado em direito do trabalho como um agente que favorece o diálogo nas interações entre patrões e funcionários, destacando seu papel na prevenção de problemas, na mediação de disputas e na promoção de soluções no ambiente corporativo. A partir de uma abordagem multidisciplinar, discute-se a importância da escuta ativa, da ética profissional, da inteligência emocional e da aplicação de métodos autocompositivos, destacando a evolução da advocacia para além do contencioso judicial. O estudo enfatiza o impacto dessa atuação na pacificação social e na eficiência das relações de trabalho.

Nas últimas décadas, o mundo do trabalho passou por profundas transformações, impulsionadas por avanços tecnológicos, mudanças econômicas e novas dinâmicas sociais. Esses fatores têm impactado diretamente as relações entre empregados e empregadores, tornando-as mais complexas e, muitas vezes, conflituosas. O sistema judiciário, ao mesmo tempo, enfrenta um aumento considerável na quantidade de ações trabalhistas, o que ocasiona uma sobrecarga e prolonga o tempo necessário para resolver os conflitos.

As transformações sociais e jurídicas relacionadas ao trabalho exigem perfis profissionais inéditos, sobretudo na advocacia. A função tradicional do advogado, voltada para litígios, tem se expandido, incorporando uma perspectiva que prioriza a prevenção de conflitos e a promoção de soluções amigáveis.

A proposta consiste em analisar o papel do advogado na facilitação do diálogo entre empregador e empregado, destacando suas competências tanto técnicas quanto sociais, o impacto da mediação no ambiente de trabalho. 

Com o crescimento das demandas no setor laboral, tornou-se evidente a necessidade de estratégias jurídicas mais ativas. Nesse contexto, o advogado desempenha uma função importante na prevenção de conflitos, oferecendo orientações a empregadores e empregados sobre as normas jurídicas e a relevância de se estabelecer relações contratuais com transparência.

A abordagem proativa inclui a elaboração e revisão de contratos, a implementação de diretrizes internas, a promoção de treinamentos sobre direitos e deveres trabalhistas, além de prestar auxílio na gestão de equipes. O intuito é criar um ambiente de trabalho que esteja em conformidade com a legislação, reduzindo riscos e promovendo a continuidade nas relações profissionais.

O diálogo, visto como um recurso essencial nessa situação, deve ser incentivado e conduzido de forma qualificada. Compete ao advogado garantir que as partes se escutem mutuamente, compreendam seus direitos e deveres, e busquem soluções antes de recorrerem ao sistema legal. 

A mediação, emprega uma abordagem autocompositiva para a resolução de disputas, constituindo-se como uma ferramenta importante nas relações de trabalho. Esse processo possibilita que as partes envolvidas busquem suas próprias soluções para os conflitos, com a assistência de um facilitador neutro ou com a orientação de seus advogados.

A Lei nº 13.467/2017, conhecida como Reforma Trabalhista, aprimorou os mecanismos de resolução amigável ao introduzir a validação judicial de acordos realizados fora do âmbito judicial. Essa melhoria criou mais oportunidades para a prática da advocacia colaborativa, que se propõe a encontrar soluções que sejam ágeis e efetivas. Dentro desse cenário, o advogado pode exercer a função de mediador, caso tenha a formação necessária, ou atuar como consultor de uma das partes, garantindo sempre a conformidade legal e a equidade nas negociações.

A promoção da cultura de paz emerge como resultado imediato dessa abordagem. O advogado tem uma função essencial devendo criar um ambiente de trabalho mais saudáveis, sustentáveis e humanizados, evitando litigios desnecessários e incentivando a cooperação. A mediação no contexto trabalhista vai além de uma simples técnica legal; trata-se de uma prática que provoca mudanças significativas.

O novo perfil do advogado especializado em questões trabalhistas demanda mais do que apenas expertise técnica.  É fundamental desenvolver habilidades de comunicação, emocionais e éticas. A habilidade de ouvir com atenção é vital para compreender os verdadeiros interesses das partes envolvidas e estabelecer acordos duradouros.

A comunicação empática permite que as necessidades sejam expressas de maneira a prevenir desentendimentos e estresse. Ademais, é fundamental que o advogado adote uma postura ética, transparente e neutra, fomentando a confiança entre todos os participantes. Ter habilidades em negociação e conciliação é igualmente crucial, especialmente ao lidar com temas delicados, como assédio moral, discriminação e demissões em massa.

A educação jurídica convencional ainda valoriza predominantemente a disputa judicial, no entanto, o mercado de trabalho e o sistema judiciário demandam, cada vez mais, especialistas aptos a gerenciar conflitos. Apostar em uma formação diversificada é essencial para aqueles que almejam se tornar mediadores de diálogo.

O exercício da advocacia nos dias atuais demanda uma visão renovada sobre o papel do advogado. Além de atuar como defensor em processos judiciais, ele se torna também um consultor, educador jurídico e facilitador de interações humanas.

Chega-se à conclusão de que, ao fortalecer práticas consensuais e expandir a utilização da mediação, o advogado que atua como facilitador se torna crucial não apenas para evitar disputas.

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