Se existe uma palavra que definiu os últimos anos foi “resiliência”, mas para 2026 convido o empresário a adotar um termo mais dinâmico: “Adaptação Ativa”. O cenário atual não permite mais apenas suportar as mudanças legislativas; ele exige que empresas deixem de ser reativas, esperando o processo chegar, para se tornarem preventivas, utilizando a lei como uma verdadeira ferramenta de estratégia. Na minha vivência diária percebo que o sucesso dos negócios neste ano dependerá de como se navegará por três frentes cruciais: a tributária, a trabalhista e a empresarial.
No campo tributário, é essencial abandonar a ideia de que a Reforma é um problema futuro, pois já estamos vivendo o coração da transição. O empresário precisa entender que a consolidação do novo sistema altera profundamente a lógica de instalação das companhias, deslocando a vantagem competitiva dos incentivos fiscais regionais para a eficiência operacional. Mais do que decorar alíquotas, o desafio agora é revisar contratos de longo prazo para garantir o repasse correto da carga tributária e evitar a corrosão silenciosa das margens de lucro. A tributação deixou de ser uma tarefa exclusiva da contabilidade para se tornar pauta obrigatória nas reuniões de diretoria.
Simultaneamente, as relações de trabalho exigem um olhar renovado sobre a flexibilidade com segurança. Embora o modelo híbrido e a contratação de prestadores de serviço sejam práticas consolidadas, o judiciário está cirúrgico na análise das zonas cinzentas, utilizando cada vez mais rastros digitais para identificar a subordinação velada. Além disso, a saúde mental emergiu como um risco jurídico tangível, transformando o esgotamento profissional em passivos trabalhistas significativos. A melhor defesa, neste contexto, é a cultura da empresa: gerenciar o tempo de desconexão e respeitar o horário de descanso não é apenas gentileza, é uma estratégia vital de proteção ao caixa da empresa.
Por fim, no âmbito do Direito Empresarial, a governança e a sustentabilidade deixaram definitivamente de ser ferramentas de marketing para se tornarem requisitos de sobrevivência e crédito. Grandes players do mercado já impõem uma corrente de responsabilidade, recusando fornecedores que não estejam adequados à proteção de dados ou que apresentem riscos ambientais. Organizar a casa, com acordos de sócios robustos e regras claras, tornou-se mais valioso do que um faturamento alto construído sobre bases frágeis.
A conclusão para 2026 é clara: quem ainda enxerga o departamento jurídico apenas como um centro de custos ficará para trás. O Direito deve ser encarado como uma alavanca de negócios, pois é a segurança jurídica que permite inovar com ousadia. O sucesso neste ano não virá para quem corre mais rápido, mas para quem corre com o terreno mais firme sob os pés, antecipando cenários e transformando obrigações legais em diferenciais competitivos.
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