Roger Vinicius Ancillotti

Breves considerações de uso de forças policiais contra o narcoterrorismo

Postado em 10 de dezembro de 2025 Por Roger Vinicius Ancillotti  Médico Legista da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Professor de Ciências Forenses da PUC-Rio de Janeiro. Ex-Superintende de Polícia Científica do Estado do Rio de Janeiro. Diretor da Policlínica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Coautor do Livro Medicina Legal Ed. Impetus-RJ

Fui oficial do Exército Brasileiro por quase 14 anos e pós graduado em Ciências Militares, pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), e ouso deixar aqui algumas considerações combinando os conceitos aprendidos na teoria e no terreno enquanto na ativa da Força Terrestre e na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Faço uma ilação usando conceitos básicos, da guerra convencional  adaptada ao combate aos narcoterroristas.

O “aproveitamento do êxito” é a operação que ocorre após um ataque bem-sucedido, envolvendo um avanço rápido e contínuo para explorar a vantagem e obter objetivos estratégicos, como a destruição ou cerco de tropas inimigas. A “perseguição” é um tipo de operação ofensiva, muitas vezes realizada em conjunto com o aproveitamento do êxito, cujo objetivo é impedir a retirada organizada do inimigo e capturar ou destruir suas forças em retirada.

Com base nos conceitos militares de “aproveitamento do êxito” e “perseguição”, é possível desenvolver uma estratégia policial integrada que vá além da ocupação pontual de territórios dominados por grupos criminosos armados (narcoterroristas), garantindo retomada territorial efetiva e duradoura. Abaixo, proponho uma abordagem estratégica em cinco fases, adaptando os princípios ao contexto das operações de segurança pública:

Estratégia Integrada de Retomada Territorial – “Operação Progresso Contínuo”

1. Ataque Inicial – Choque e Ruptura

– Objetivo: Romper o domínio local do tráfico com ações de alto impacto, visando desorganizar estruturas de comando e logística.

– Ações:

  – Intervenção tática com inteligência precisa.

  – Uso de forças especiais (CORE, BOPE, Choque) para desarticulação de lideranças e captura de armamento pesado.

  – Neutralização de comunicações e logística criminosa.

2. Aproveitamento do Êxito – Expansão e Consolidação

– Objetivo: Capitalizar o êxito da operação inicial para avançar rapidamente, consolidando presença do Estado.

– Ações:

  – Imediata entrada de forças de patrulhamento territorial fixo (PMERJ – Batalhões de Área, UPP, etc.).

  – Estabelecimento de bases operacionais avançadas com atuação contínua.

– Instalação de sistemas de monitoramento (câmeras, drones) e controle de acesso.

3. Perseguição – Desmantelamento e Interdição

– Objetivo: Impedir fuga e reagrupamento das lideranças criminosas e impedir a reocupação.

– Ações:

  – Monitoramento de rotas de fuga e interceptação (ações de GAT, PRF e apoio aéreo).

  – Prisão de lideranças foragidas em cidades vizinhas ou zonas rurais.

  – Investigação e bloqueio de recursos financeiros, bens e canais de abastecimento.

4. Ocupação Social – Reconstrução Institucional

– Objetivo: Garantir que o território seja ocupado pelo Estado e pela cidadania, e não volte ao domínio paralelo.

– Ações:

  – Entrada coordenada de serviços públicos: saúde, educação, saneamento.

  – Reativação de equipamentos públicos (escolas, CRAS, postos de saúde).

  – Projetos de inclusão social, geração de renda e juventude.

5. Manutenção e Comunicação Estratégica

– Objetivo: Manter a moral da população e das forças de segurança.

– Ações:

  – Comunicação pública transparente sobre o avanço da operação.

  – Envolvimento da população local como colaboradora da retomada (programas de denúncia, canais diretos com a polícia).

  – Avaliação periódica de indicadores de segurança, com ajustes táticos.

Princípios Essenciais

– Velocidade e continuidade: não dar espaço para o inimigo se reorganizar.

– Força móvel e flexível: uso integrado de inteligência, policiamento e repressão qualificada.

– Comando unificado e iniciativa: líderes operacionais com autonomia e visão estratégica.

– Legitimidade social: a retomada só é completa se houver apoio da população local.

Conclusão: 

Inspirada nos conceitos de guerra de manobra, essa estratégia propõe que a ação policial não se limite à incursão pontual, mas sim avance para o controle sustentável do território, garantindo a presença contínua do Estado e impedindo o reagrupamento dos grupos criminosos. Segurança pública exige planejamento tático, mas sobretudo visão estratégica e ação integrada.

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